7 de jan. de 2006

15 de Novembro de 2005 – Dia de Pesca





Considero essa data muito especial, por se comemorar a mudança ocorrida em 1889 sobre a forma de governar nosso maravilhoso País (mudança da monarquia para a república promovida principalmente por: Benjamin Constant, Deodoro da Fonseca, Sólon Ribeiro, Aristides Lobo, Rui Barbosa, Francisco Glicério, José do Patrocínio e Lopes Trovão) apesar de importante para o desenvolvimento de nossa Pátria não observo nenhuma manifestação popular sobre esse contexto (bem diferente se comparar-mos com o carnaval). Bem, não estou aqui para comentar a falta de patriotismo dos cidadãos brasileiros e sim para relatar o excelente dia que passei acompanhado de amigos que fiz na cidade de Porto Alegre do Norte.
Nessa data tive o privilégio de ser convidado para ir ao rancho do amigo Maurival (vulgo J MC Luz) juntamente com Madalena e Carlos, Sérgio, Dejair, Edmilson e sua esposa além dê seus sobrinhos Neto e Cássio. Fiquei muito empolgado, pois há 08 anos que não ia à num rancho e tratei de arranjar uma tralha para aproveitar a oportunidade e pescar. Chegando ao rancho fomos hospitaleiramente recebidos pelo anfitrião e seus demais convidados. Tive logo pressa de ir ao rio Xavantim, um belo rio de água limpa e abundância de peixes, (apesar disso não significar pescaria fácil) e lançar minha isca artificial para pescar Tucunarés. O que mais gosto na pescaria é o contato com a natureza: apreciar os pássaros, os insetos, a mata, os macacos e toda a diversidade de fauna e flora que só existe nesse nosso belo país continente; é claro que também gosto de fisgar alguns peixes (de preferência grandes), aprecio muito poder meditar sentado à beira do barranco de um belo rio, deixando de lado o cotidiano conturbado e a vida corrida.
Não sou um pescador experiente, o que sei sobre pescaria foi o que aprendi com alguns poucos amigos pescadores e o restante através do programa de TV: Pesca e CIA. Sei que pode parecer história de pescador, mas não é; após algum tempo lançando a isca fui contemplado com um belo e grande Tucunaré Azul, não sei exatamente o peso e o tamanho do peixe, mas era grande e pesado, acho que uns 05 quilos, (tenho a foto se alguém quiser ver) foi o suficiente para soltar um grito de alegria e ficar feliz por um bom tempo. Levei-o para o rancho e mostrei todo orgulhoso o meu troféu, fiz pose para tirar uma fotografia e levei o peixe para a pia. Por algum motivo (não sei bem qual) quando coloquei o peixe na pia ele pulou e imediatamente decidi devolvê-lo ao rio (talvez por influência do programa de TV ou por haver muita comida, churrasco, caldos, inclusive uma deliciosa carne de sereno, especialidade do amigo Maurival). Todos no rancho acharam que eu estava brincando mas corri para o rio, mergulhei o peixe na água e assim que mostrou sinais de recuperação, soltei-o. Continuei pescando e após alguns minutos fisguei mais um Tucunaré (esse um pouco menor mas também azul). Soltei outro grito de alegria e solicitei que alguém viesse fotografar. Dessa vez não me deixaram devolver o Tucunaré e o peixe acabou na brasa. Não dei muita importância e continuei pescando. Algum tempo depois fisguei mais um Tucunaré azul (esse menor que o segundo) e antes que tentassem tomá-lo de minhas mãos soltei o bichinho no rio. Fiquei mais algumas horas mas não fisguei mais nada (já estava quente e ensolarado) mesmo assim estava contente e feliz, e o melhor de tudo, DESESTRESSADO!!!

3 de jan. de 2006

Crônica do Corte de Cabelo




Foi logo após o almoço, numa tarde quente e nublada de Outubro, estava viajando a trabalho por esse Brasil a fora. Necessitava aparar as madeixas que já estavam indecentes, para não dizer incomodante. Solicitei a um rapaz que vendia jornais que me indicasse um barbeiro, e antes que ele respondesse retruquei dizendo: “Um que não seja caro!”, e então sorrindo o jovem apontou para a próxima quadra da avenida. Mesmo desconfiando desse malicioso sorriso encaminhei-me ao local indicado, Salão Cristal. Ao me aproximar me dei conta da pequenez do local, mas senti certa nostalgia ao observar a cadeira, o barbeiro e a técnica de corte. Cumprimentei o profissional e seu cliente e passei a observar seu trabalho. Não sei se por desconfiança excessiva minha ou não, mas não gostei do barulho do corte da tesoura utilizada pelo barbeiro, que me soou um tanto quanto desamolada. Pode até ter sido neurose minha, mas quando algo não nos agrada, principalmente se estiver relacionado com algo relativamente duradouro como um corte de cabelo, é melhor ir embora. E foi o que fiz.

Após algumas outras indicações frustradas avistei um salão modesto onde um senhor trajando bata, trabalhava na cabeleira de um senhor (que posteriormente constatei que na verdade era uma senhora). Cumprimentei a todos e solicitei o serviço. Foi-me indicada à cadeira ao lado da qual o barbeiro trabalhava, e quando estava me acomodando um jovem rapaz passou a me atender. Manias e desconfianças de lado, decidi encarar o desafio e permitir que o rapaz trabalha-se. Quando o mesmo ofereceu um corte clássico, logo retruquei estabelecendo os parâmetros e referências do corte desejado. Pronto, não falamos mais por um bom tempo, até que me acalmei e puxei conversa. Não demorou muito para perceber que o rapaz era novo de profissão, mas consegui ficar calmo quando o mesmo demonstrou atenção e profissionalismo, ao menos até a hora de passar A NAVALHA!!!

Foi instantâneo, voltei a minha tenra infância, quando tinha aproximadamente seis anos de idade, e meu amado Pai deu-me dinheiro para cortar cabelo num barbeiro que nunca tinha ido, próximo a nossa residência na cidade de São Paulo (mais precisamente na Vila Livieiro, divisa com São Bernardo do Campo), e junto com o dinheiro me deu uma lâmina de barbear (Gillette) daquelas antigas que parecem com uma lâmina de estilete, para evitar que me contaminasse com outra que já tivesse sido utilizada pelo barbeiro, em caso de corte. Até aqui nenhum problema, mas quando chegou à hora H de “fazer o pé do cabelo” eu não tive coragem de pedir para o barbeiro trocar a gillette e daí por diante foi só agonia, rezei o tempo todo para que não fosse cortado, mas por acaso do destino, ou não, fui cortado pela lâmina usada do barbeiro bem numa verruga que tenho na nuca. Fiquei mais pálido do que o talco que ele passou em mim, paguei o corte e sai o mais rápido possível de lá, mas quando estava voltando para casa não queria passar por covarde diante de meu Pai, então escondi a Gillette (pois poderia utilizá-la mais tarde para realizar alguma molecagem) e entrei em casa como se nada tivesse acontecido de errado. Mas mesmo me esforçando (parece que nessas horas todos os esforços para ocultar algo somente servem para trazer a tona a VERDADE) não consegui esconder o corte. Meu Pai, que parecia já saber de tudo como se tivesse me feito passar por um teste, ficou primeiramente chateado comigo, passando um grande sermão sobre o risco que corri, do perigo de não seguir sua orientação e de que ele só quer o meu bem, e depois quis ir ao salão tirar satisfação com o barbeiro.

Bem, voltando ao presente com todas essas recordações na cabeça, ficou difícil passar pela navalha sem ter que prender a respiração, e foi o que fiz. Quando já estava quase no fim, percebi que o rapaz, toda a vez que aproximava a navalha da minha carne também prendia a respiração! Graças ao bom senso o rapaz tinha colocado uma lâmina novinha na navalha e concluiu o serviço sem nenhum acidente. Agradeci e paguei o serviço com satisfação (apesar de gostar apenas de cortar o cabelo com minha irmã, que por sinal é uma excelente profissional) e fui embora tranqüilo e satisfeito.


O tio Tonico

Meu tio Tonico estava bem de saúde,até que sua esposa, minha tia Marocas, disse: -Tonico, você vai fazer 70 anos, está na hora de fazer um ...